A verdade é uma boa retórica
set./1998
19 junho 2007
Direto do velho caderno 2
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Marcelo Salas
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Direto do velho caderno
Saio comprar um Machado de Assis
Meu primeiro livro literário!
No caminho, vou pensando...
Volto para casa com um dicionário.
(acho que esse foi o primeiro. Set. 1996)
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Metalíngua
Palavra curta
Arrebenta
Minha poesia não se encomenda.
Palavra certa
Aberta
Tampouco se interpreta.
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02 junho 2007
Duas é bom!
Passaram-se quase dez anos e já não moro em Sampa, mas continuo seguro para afirmar: sou cinéfilo.
Digo isso porque tocou-me com grande surpresa o cinema nacional. Distraidamente aluguei “Cinema, aspirinas e urubus” e assim que acabei de vê-lo, maravilhado, não me contive: coloquei-me a assistir novamente desde o início. A segunda vez, já mais experiente e nem um pouco cansado, trouxe-me satisfação igual ou maior.
Agradeço profundamente pelo incomensurável prazer que tive com esses filmes nacionais, escolado que estava com o cinema iraniano, sentir a mesma pulsação imiscuída na minha cultura-mãe não teve preço.
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05 maio 2007
Cada um sabe a cara que tem
A solidariedade e compaixão comum nessas reuniões fez coro uníssono afirmando e reafirmando a beleza estética da menina e concluindo pelo descabimento absoluto da queixa. Para minha satisfação, nesta reunião não tive de falar sobre mim nem comentar a dor dos colegas, pude manter meu aconchego silencioso e observador. Assim registrei a passagem com detalhes do salão do colégio e seus móveis em madeira, os rostos de alguns de nós e exatamente as palavras de um convicto: “A M. está reclamando de barriga cheia”, em tom escancaradamente ousado e revelando a todos uma ponta de interesse pela moça (quem pensa que nestes grupos de jovens só tem introspecção e recato desconhece a realidade).
Pois é, não entenderam a queixa. Tão prontos em ajudá-la e até com fundamento correto – a moça era mesmo bela – não se atentaram que ela se queixava de parecer brava, não feia. Fico aqui pensando, tão ou mais importante quanto as palavras, as expressões faciais dizem muito do nosso interior. Quão doloroso será expressar um sentimento que não existe interiormente ? Quão cansativo será explicar verbalmente que não está brava e receber de seu interlocutor um olhar de dúvida, pois não é isto que ele está vendo? Será que alterando a forma física de nosso rosto podemos alterar nossa felicidade ? Isso alteraria nossa personalidade ?
Não sabia e ainda não sei responder as questões, mas talvez uma constatação servisse de conforto a essa minha colega: essa dor não é exclusiva de quem parece brava. Quem tem cara de feliz, pode ser visto como bobo. Quem tem cara muito bela, pode ser visto como objeto fútil. Quem, a qualquer hora do dia, tem cara de que acabou de acordar, só mesmo meu cunhado sabe como é...
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Marcadores: brava, cara, felicidade
14 abril 2007
Ventriloquia
Nem sempre me ponho a escrever, não me faltam motes, falta-me um impulso a mais que não sei o que é... Dessa vez foi a Revista Piauí e seu concurso literário, o desafio era encaixar a frase "Não vou tolerar esse tipo de agressão, ainda mais levando em conta que meu tio é ventríloquo." num contexto que lhe dê pé e cabeça... perdi o concurso, mas pouco importa, o bacana é que escrevi isso aí em baixo
PROSA-JAZZ
Não, de novo não, o que foi agora, esse som absurdo, liberta minha alma ou a prende. Aprenda o ritmo, rapaz! Eu me dedicava ao instrumento, mas o descompasso parecia ser minha natureza, tempo, contratempo, um, dois, um dois, um-ôps. Aprenda o ritmo, rapaz! Vá mais longe, apreenda! Eu continuava meu esforço, de boa-fé, concentrava e sentia a musicalidade, a pulsação, a batida, o "groove" e envolvia-me, entretia-me, a instrução era pra deixar sair, sentir, flutuar, relaxar, curtir. Crack! A batuta quebrou-se na minha cabeça e agora eu estava fora. O suingue, o gingado, o balanço seriam meus companheiros apenas de bebedeira? Estaria eu tão fora do tempo assim, condenado a ser consumidor quando queria ser criador? Não vou tolerar esse tipo de agressão, ainda mais levando em conta que meu tio é ventríloquo. Não sou filho de oxum, mas tenho na família pessoa de sensibilidade, mostra que a sonoridade também é uma ilusão, pode vir e não vir de qualquer lugar, e habilidade tão especial usa-se para dar vida e graça ao que é inanimado, transcendência, meu caro, quero transcendência, não essa indecência que me impõem, uma regra, uma norma totalitária, a ser executada em exatos tons e tempos, como poderia uma matemática tão rigorosa produzir a espiritualidade da música, como poderia um metrônomo, uma máquina simples, guardar tamanha ambigüidade, é leal companheiro para uns, é carcereiro e carrasco para outros. Mas a liberdade nunca me pareceu fútil e fácil, então aguardem, se há que absorver completamente a norma para vencê-la assim será, até que, de baquetas em punho, um dia ainda vou sincopar.
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Marcadores: revista piauí
02 fevereiro 2006
NOVIDADES
Sou um apaixonado por história, Mas não por conta das raridades antigas, Gosto mesmo é das novidades, Tanto que as notícias jornais não me satisfazem. Então regresso um pouco no tempo, E o presente se faz novidade, Regresso mais, O próprio passado é uma novidade.
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